“Ubuntu”
Depois de uma longa ausência, volto a escrever aqui. A faculdade não só toma meu tempo, como me tira a energia pra fazer outras coisas que gosto. Enfim, voltemos então com a programação usual.
Hoje quero falar de um vídeo que vi há algum tempo atrás e achei impressionante. O palestrante é Chris Abani, um nigeriano, e ele explica o “Ubuntu”. Nas palavras do mesmo: “Ubuntu vem de uma filosofia que diz: o único modo de eu ser humano é você refletir minha humanidade de volta pra mim; mas se você é como eu, minha humanidade é mais como uma janela, eu não a vejo, não reparo nela, até que haja alguma coisa como um inseto morto no vidro; e geralmente é uma coisa ruim”.
LINK PARA O VIDEO: Ubuntu
É simplesmente incrível, vejam esse vídeo. Até hoje não ouvi uma melhor definição de humanidade. “O único modo de sermos humanos é com as outras pessoas, e é bem simples e bem complicado”. Já disse uma vez aqui que não tenho muitas esperanças a cerca do nosso futuro, mas o que eu realmente deveria ter dito é que vamos enfrentar (ou melhor, já enfrentamos) tempos difíceis, e eu espero que aquilo que sobreviver a tudo isso seja melhor do que somos hoje.
Dizem que quando se chega ao fundo do poço, só há um caminho: para cima. Mas se o idiota que está no fundo do poço tiver uma pá, pode-se ir bem, mas bem mais pra baixo ainda, e acredito que a humanidade está cavando há um longo tempo já. E acho que já passou da hora de pararmos de cavar nossa sepultura e começar a escalar o maldito poço.
Olhe ao seu redor, nós temos tudo que precisamos para zerar a fome no mundo, para acabar com a miséria e dar dignidade a todos os seres humanos viventes hoje. Você já se perguntou porque isso ainda não aconteceu? Eu já. E a única resposta que pude encontrar foi essa: nós não queremos. Não queremos ter todo o trabalho de rever nosso padrão de consumo, nosso modo de viver, nossos conceitos de riqueza, beleza, sucesso e felicidade. Não se engane, não há uma entidade chamada “capitalismo” que manipula os homens sadicamente; o que mantém as coisas como são é o próprio ser humano.
É a velha história: “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”.
Voltando ao vídeo, o Sr. Abani nos dá exemplos de pessoas incríveis, e mais, afirma (e eu concordo com ele) que o que faz a diferença são os pequenos atos diários de compaixão. Pense por um momento em Ubuntu; você consegue ver sua humanidade refletida nas pessoas ao seu redor? você gosta do que vê? você ao menos se importa com isso?
Pense nisso antes de sair por aí falando mal da “sociedade”, do “capitalismo”, dos políticos.
É, eu sei que isso é bastante papinho de “save the planet” ou auto-ajuda, mas não é minha intenção mudar ninguém aqui. Só acho que as pessoas deviam prestar um pouco mais de atenção em si mesmas. Enfim. Um último recado: o site do TED só tem vídeo bom, e mais de cem deles tem legenda em português, eu recomento; são os quinze minutos de cultura diária necessários pra manter um pouco de conteúdo nas nossas cabecinhas tão judiadas…
Desculpa ou Perdão?
Eu tinha um professor de Educação Física que sempre falava coisas interessantes, e que ninguém prestava atenção. Uma vez ele disse a um aluno: “Nunca peça desculpas”, com tal gravidade que me deixou confuso. Afinal ele era bastante educado e correto, e sempre me ensinaram que deveríamos pedir desculpas; e era a coisa mais difícil quando se aprontava com um coleguinha e vinha a tia exigir que pedíssemos desculpas.
Fiquei intrigado com essa idéia de “nunca pedir desculpas”, até que finalmente entendi, ou pelo menos acho que entendi. Minha reflexão foi a seguinte:
Desculpa vem de des (prefixo de negação) + culpa. Culpa todo mundo sabe o que é, aquela sensação de responsabilidade, geralmente usada para os casos negativos, em que nos sentimos responsáveis por algo ruim. Pois bem, pedir “des+culpa” é literalmente pedir que se retire nossa responsabilidade, quando pedimos desculpas para alguém, queremos na verdade que a pessoa diga que não foi culpa nossa, por mais que tenha sido. Se pensarem bem, isso é covardia; não se pode simplesmente apagar o que já passou e fingir que não aconteceu nada. E é isso que pedir desculpas realmente quer dizer.
Já o Perdão é algo muito mais profundo. Você pode perceber que é mil vezes mais difícil pedir perdão do que desculpa. Isso porque a própria palavra “perdão” já reflete um sentimento mais sincero, e só usamos quando a nossa culpa é realmente esmagadora. A etimologia de perdão não me explicou muita coisa, nem precisa, pois a diferença é realmente gritante. Perdão se pede quando estamos realmente arrependidos, e não queremos que a vítima de nossas más ações se esqueça, mas que ela nos permita superar nossa própria dor. Que ela nos ajude a aceitar e superar nossos erros, pois é impossível enfrentar certos fantasmas sem alguém que nos ajude.
Concluindo: deve se pedir desculpas quando esbarramos em alguém na rua, ou fechamos sem querer a porta na cara de outro, quando ficamos doentes e não podemos comparecer a um compromisso, quando fazemos algo negativo acidentalmente; já o perdão é reservado àquelas ocasiões em que machucamos alguém que amamos, quando fazemos uma burrada mesmo sabendo que era burrada, quando percebemos o quanto estamos sendo egoístas e mesquinhos e queremos mudar.
O que meu professor queria dizer é: não se desculpe por algo que você fez de propósito, afinal a culpa é sua mesmo e não há quem a retire. E quando você fizer algo realmente estúpido e estiver arrependido, aí peça o perdão, e perdoe a si mesmo, aprenda com isso e siga sua vida.
Anniversarius
A partir de hoje entro no meu 20° ano de vida. Mais um ano de vida, um ano de várias experiências novas.
Vi em algum lugar, e agora tomo essa decisão também. Não faz muito sentido comemorar o ano novo, ao invés disso irei comemorar o MEU ano novo, que começa exatamente as 2:10 de 29 de agosto, no calendário comum. Porquê? Porque eu sou o ator principal da minha vida, e faz mais sentido eu pautar minhas metas e objetivos no meu próprio tempo. Então a pergunta não é mais o que eu farei em 2010, mas o que eu farei no meu vigéssimo ano de vida, faz muito mais sentido pra mim.
Acabo de ler a etimologia (origem da palavra) de “aniversário”, segundo o Houaiss, vem do latim: “anniversarìus,a,um ‘que vem, que chega, que volta, que se faz a cada ano’, de annus,i ‘ano’ e rad. de versum, supino de verto,is,ti,versum, vertère ‘voltar, virar’”; ou seja, virada do ano. O que só vem afirmar o que falei antes. Obrigado ao desconhecido que teve essa idéia primeiro.

minha recém-começada coleção dos Gêmeos
Mas agora falando de como passei esse aniversário (que ainda não comemorei com todo mundo). No dia em si do aniversário fui até a loja Cachalote, onde os fabulosos gêmeos Fábio Moon (ele não é parente da Mari Moon, eu acho) e Gabriel Bá estavam lançando o Academia Umbrella, mas cheguei tarde, de modo que só comprei os trabalhos mais antigos, aliás, era isso mesmo que eu ia comprar. E eles autografaram tudo, sendo muito simpáticos e receptivos. Em outro post falo mais sobre o trabalho desses gênios.
E um detalhe, eu peguei o ônibus errado e não tinha dinheiro no bilhete único, então tive que andar a Av Sumaré inteira pra encontrar a bendita loja. E a loja é fantástica: pequena, aconchegante, com um tom de porão de artista boêmio e underground, onde ficam lado a lado literatura de cordel, filosfia moderna e quadrinhos nacionais. Além disso, os funcionários atendem bem e não ficam empurrando produtos, gostam de conversar sobre qualquer coisa, num tom bem casual mesmo. Só que é MUITO longe da minha casa em São Paulo, mas valeu a pena.
Mas a comemoração mais especial nesse ano foi na quinta-feira. Lá em Rio Claro, quinta faz o papel de sexta, já que na sexta todo mundo ruma pra sua casa em outra cidade. Então quinta é dia de festa. E não é que o pessoal da pensão fez uma festinha pra mim! Compraram massa de pizza e FIZERAM uma pizza! E me compraram uma garrafa de vodka de presente \o/ Foi muito legal mesmo. É bom saber que tenho amigos em Rio Claro também.

pizza e vodka e amigos, quer mais o q?
Enfim, ainda vou comemorar com meus amigos de Sampa, vendo “Os Normais 2″.
Mas o que fica é isso: os aniversários servem (ou me servem pelo menos) pra lembrar que eu estou vivo, que tenho ainda o que viver e que já vivi muita coisa. É um bom dia pra comemorar, e as pessoas se esquecem que a maior festa do ano (no Ocidente) é apenas o aniversário de uma pessoa.
ps: pra quem quer saber mais da Cachalote, clique aqui
pps: mais sobre o trabalho dos gêmeos num próximo post.
“Eu queria fazer um adendo…”
Como brasileiro (ou devo dizer brasiliano?) que sou não posso deixar de me expressar frente a toda essa sujeira que está cada vez mais evidente. Por mais que evite falar de política, religião e coisas polêmicas nesse blog, não posso mais me conter.
Eu adoro a bandeira do Brasil, e ela é a figura mais triste no meio de toda essa “crise do senado”. (sim, eu vou escrever senado com letra minúscula e não chamarei os senadores de vossas excelências, afinal, eles não são excelentes). Quando jogam a merda no ventilador do senado, é na bandeira que ela respinga.
Hoje li que o senador Eduardo Suplicy, do PT, fez um discurso inflamado e teatral, levantando o cartão vermelho para Sarney. Outro senador, Heráclito Fortes (é, eu também não o conhecia até então, mea culpa) retrucou: Vossa Excelência não está sendo sincero. (…). Quem merece esse cartão é o presidente Lula, e a ele Vossa Excelência não tem coragem de mostrar. O que não deixa de ser verdade.
Mas o vergonhoso, e que me deixou profundamente indignado, foram as risadas de fundo quando Suplicy levantou o cartão ao tal Heráclito. Entendo que a situação toda era fora do comum, e irá render muitas tiras aos humoristas, mas espera-se um tom de seriedade e respeito na “Casa do Povo” que o senado deveria ser. Deixem que os humoristas façam as piadas, o Brasil está cheio deles
Bom, esse era só o primeiro detalhe.
Minha conscientização política começou logo após Lula ter vencido as eleições. Por uma questão de idade mesmo. Mas eu nunca fui muito fundo na política que mostram os jornais. Voto com consciência, mas pra mim é mais importante que eu faça meu papel como cidadão diariamente.
Escolhi a carreira de engenheiro ambiental por que, além de ser uma opção com ótimas oportunidades de enriquecimento pessoal (sim, eu penso em dinheiro), é uma forma de eu ajudar meu povo. Como engenheiro ambiental, eu poderei estudar e ajudar a solucionar diversos problemas como: transporte público, rede de água e esgoto para todos, diminuir a poluição, enfim, foi a forma que eu vi de usar minhas habilidades e meus interesses para o bem do meu amado Brasil.
E quando vejo essas coisas como “a crise do senado” eu me pergunto: porque o brasileiro que está lá não tem compaixão pelo brasileiro que o levou até lá? Dinheiro é a primeira resposta, mas sinto que é algo mais profundo que isso. Só não sei o que é.
Eu me vi no ato de Suplicy, quando ele levantou o cartão vermelho, era minha mão levantava. A voz dele era minha voz, e a de muitos brasileiros que estão cansados disso. E já não importa as motivações do próprio Suplicy, porque na hora ele não era ele, ele estava fazendo o que todo o senador deveria fazer sempre: encarnar o povo que representa.
Mercadante foi uma decepção, com o seu “vou não vou” virtual. Suplicy encarna a esperança de mudança que os brasileiros sentem há tanto tempo, se ele for uma decepção também, o que irá sobrar?
Nessas horas eu me lembro de “V de Vingança”. Destruir para então reconstruir. Essa é realmente a solução?
Bem, como o fim do mundo ta chegando em 2012, já já a gente descobre.
Talentos ocultos
Acabou a primeira aula depois das férias e já estou antevendo os tédios de segunda de manhã. Então logo vim ao note, pra escrever sobre várias coisas que pensei no fim de semana.
Eu tenho esse amigo, o cara é muito talentoso. Sabe contar uma história como ninguém (contar mais do que escrever) e é muito criativo. Eu me racho de rir ao ouvi-lo contando suas histórias, e ele tem várias idéias interessantes.
Mas aí as complicações: ele não tem grana, então ocupa seu dia trabalhando e terminando a escola (pública, lógico). Ele entende muito de computador, e tem bastante talento artístico. Só que não tem tempo pra se dedicar a isso, o que me deixa meio triste. Se ele pudesse se dedicar ao que realmente gosta de fazer, ele iria longe. Mas ele não pode por causa dessa merda de dinheiro que, queiramos ou não, dita nossas rotinas.
E agora a parte boa: ele tem acesso à internet e, como já disse, é fera em computadores. Então, mesmo sem condição nenhuma, ele arranja um tempinho pra fazer coisas divertidas, e são ótimas. Pelo menos pro meu gosto. E, ressalto, com condições MINIMAS.
Eu nem imagino o que ele poderia fazer se tivesse como se dedicar inteiramente a suas maluquices artísticas. Ele seria genial (ou não!), mas a lição que fica é: quando a pessoa tem talento, não adianta, por mais que seja pobre, passe fome, não tenha nem o que vestir, ela surpreende.
E quantos estão aí no mundo que são como esse meu amigo? E quando a gente conseguir zerar a miséria, a fome, enfim, dar a cada ser humano as condições viver plenamente, quantos milhares de gênios iram nos surpreender.
A pacata Rio Claro
Eu sequer sabi
a da existência de uma cidade chamada Rio Claro antes de prestar o vestibular para a Unesp. Bom, quando passei nas duas faculdades que tinha prestado, fui visitar os respectivos campi. O da USP de São Carlos me pareceu uma versão apertada da Cidade Universitária. Em Rio Claro, fui me inscrever na unidade Santana, e quando vi aquele prédio velho pensei: é nisso que eu vou estudar? Felizmente estava errado e logo depois fui no campus Bela Vista, e que bela vista. Era exatamente num lugar assim que queria estudar, cheio de grama, verde, árvores, pássaros. E nos dias que penso no que poderia ter sido estudar na Poli ou em São Carlos, basta dar uma volta pelo campus pra qualquer arrependimento simplesmente sumir.
Mas o que dizer de Rio Claro. A cidade é boa, para quem estuda. Não há muito o que fazer aqui (exceto as festas da faculdade), as vias são mal feitas, apesar de que as ruas serem numeradas facilita muito. O trânsito é uma porcaria para uma cidade desse porte. As coisas são caras, e pra quem está acostumado a ter tudo funcionando praticamente 24 horas por dia, é um saco se adequar aos horários do comércio. MAS, o ar é limpo (perto do d
e São Paulo), o clima é ótimo, com calor e vento, e algumas semanas de inverno forte pra equilibrar. Tem chuvas torrenciais, coisa que eu adoro. Em suma, é uma cidade perfeita para começar uma carreira acadêmica.
E as pessoas? Bom, as pessoas são pessoas onde quer que você vá, e há gente idiota em toda esquina. Mas é verdade que aqui elas têm mais calma, aliás, aqui tem muito velho. Adoro gente velha! A maioria é bastante cordial, chega a dar “bom dia” ao entrar no ônibus, coisa que nunca testemunhei em São Paulo. Enfim, as pessoas têm mais ar pra respirar, aproveitam mais o sol e conversam na calçadas no fim da tarde.
Claro que não é o paraíso, e está muito longe disso. Mas é um bom lugar, no fim das contas. E depois de passar tanto tempo em São Paulo, só aqui, onde posso me sentar na grama vendo a segunda maior floresta de eucalipto do mundo, encontro um pouco de calma e silêncio, coisa tão rara nos nossos dias.

My stuff
Tenho uma amiga que trabalha numa papelaria. Ela sabia que eu gostava de desenhar e queria um caderno só com folhas brancas, e aconteceu de um cara pedir justamente isso na papelaria, só que eles montaram o caderno errado. Então ficou pra mi! Decidi que, diferente de meus outros cadernos, esse teria um tema. Deixei uma folha de rosto, e comecei a desenhar meu boné, que tava na minha frente, daí decidi contar a história por trás daquele boné. E porque não fazer o mesmo com meu notebook, meus livros, meu mp3, enfim, com todas as coisas que eu uso todo dia e raramente noto que estão lá.
O resultado decidi publicar aqui. E vou manter uma peridiocidade semanal, mas com a correria da facul começando vai ser mais difícil.
Esta aí, divirtam-se (ou não =S)




